<i>Alex</i> tem lugar cativo<br> no quadro de honra<br> dos heróis do Partido

HOMENAGEM O PCP assinalou no dia 29, na Casa do Alentejo, em Lisboa, o centenário do nascimento de Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente comunista assassinado pelo fascismo aos 28 anos.

Alex destacou-se na organização e mobilização da classe operária

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A sessão, realizada no próprio dia em que se cumpriam 100 anos sobre o nascimento de Alfredo Dinis, terminou com a intervenção do Secretário-geral do PCP, que valorizou a «história de um revolucionário, cuja entrega e dedicação à causa dos trabalhadores e do povo, mais de 70 anos passados desde a sua morte, o Partido não esquece e a história do movimento operário e do nosso povo pela liberdade e a democracia registará para sempre». Para Jerónimo de Sousa, Alex tem lugar reservado, «ao lado de muitos outros, no quadro de honra dos heróicos combatentes contra o fascismo».

O dirigente do PCP, que interveio depois de Ricardo Costa, do Comité Central, ter traçado as linhas fundamentais da biografia pessoal e política do homenageado, lembrou Alfredo Dinis como um «notável organizador que levava à prática de forma exemplar a orientação do Partido» e que fez sua a máxima de «estar onde estão as massas e trabalhar com elas e com elas agir em defesa dos seus interesses». Um dos mais fortes legados de Alex é precisamente essa capacidade de trabalhar junto dos trabalhadores, nas empresas, em prol do seu esclarecimento, organização, unidade e luta.

Muito embora se tenha tratado de uma evocação, o discurso do dirigente comunista foi sobretudo voltado para o presente e o futuro e para o que o «exemplo de dedicação, coragem e saber feito da escola da vida e luta por uma vida melhor», deixado por Alfredo Dinis, projecta para o nosso tempo. Se muito mudou desde esses anos 30 e 40, que foram os de Alex, permanecem a necessidade de defender as liberdades democráticas e a paz e a luta pelo progresso e justiça social. E permanecem, também, o «Partido que Alex ajudou a construir e que honrou com a sua dedicação e coragem» e o seu projecto de construção de uma sociedade liberta da exploração e da opressão.

«Maior que todas as poesias»

Antes da intervenção do Secretário-geral, a sessão teve momentos de música e poesia, não para entreter os presentes, mas porque a cultura e a luta pela emancipação dos explorados e oprimidos estão intimamente ligadas. Na música, o guitarrista Tiago Santos e a cantora Sofia Lisboa interpretaram «Traz Outro Amigo Também», de José Afonso, «Cantar da Emigração», de Rosalía de Castro, na versão de Adriano Correia de Oliveira, e o «Hino de Caxias», canção de resistência dos presos políticos que, segundo Sofia Lisboa, «nos dá mais força» para os combates do presente. «Não faltaremos à chamada», garantiu.

O actor André Albuquerque declamou dois poemas que poderiam ter sido escritos para Alex: «Epitáfio», de Sidónio Muralha – «Largos versos irrompem do teu silêncio de granito / E tu vives inteiro em cada grito / Tu que foste maior que todas as poesias» – e «Elogio do Trabalho Clandestino», de Bertolt Brecht – Pela glória quem não faria grandes coisas?/ Mas quem as faz pelo olvido?/ E a glória busca em vão/ os autores do grande feito./ Saí da sombra por um momento,/ rostos anónimos, dissimulados,/ e aceitai o nosso agradecimento.»

No átrio da Casa do Alentejo, uma exposição evocativa sublinhava os mais relevantes aspectos da curta, mas intensa, vida de Alfredo Dinis, da infância difícil ao trabalho na Parry & Son, da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas à adesão ao Partido, da prisão à clandestinidade e, claro, o seu papel determinante na dinamização e organização das greves de 1943 e 1944, respectivamente na Margem Sul do Tejo e no Baixo Ribatejo. A denúncia do hediondo crime que constituiu o seu assassinato, por uma brigada da PVDE numa estrada perto de Bucelas, preenchia todo um painel – negro – da exposição, junto ao qual estava a bicicleta em que seguia nesse fatídico dia de Julho de 1945.




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